(desenho de Guido Viaro)
...Lá na
Igreja do "João de Camargo" tinha um quartinho de acendê
velas pros santo.
As criança gostava de ir lá pra ver os formato das vela
derretida. Tinha
forma de borboleta, forma de cavalo, forma de coisa ninhuma,
mais elas
sempre achava argo parecido.
Quando entravam lá pra vê os santo, eles diviam di ficá feliz. Já
tavam cansado de oiá uns pra cara dus otro, cansado daquele silêncio que
ensurdecia. O que mais tem naquela igreja é santo. Tem santo até que a gente
nunca se ouviu dizê. O "Seu Bento" que tomava conta di lá, se via loco cas
mulecada, mais as veiz dexava eles lá um poco.
Os santo divia se diverti quando uns peste se
escondia atrais de
arguma pilastra pra sustá os otro desavisado que vinha
distraído tentando contar
quantos santos tinha cada sala.
Eita...nessa hora era só muleque
saino correno la di dentro branco
feito cera, qui nem as vela que ficavam
dia e noite derreteno lá no quartinho.
Eu cá sentado nu banco da praça,
só ficava esperando pra vê
quar deles é que ia saí de lá primero.
Numa das sala tinha até um Papa que de
mão junta fingia que
rezava. Na verdade seguia com aquele par de "zóio azur",
tudo mundo que por
ali passava.
A mulecada não
entrava sozinho lá de jeito nenhum. Depois que tudo
eles saia, eu inté tinha
a impressão di ouvi as risada dos santo lá dentro, mais
como não sou bobo
nem nada, prefiria ficá aqui do lado de fora só imaginano o
zum zum zum
deles.
E que mar lhe
diga,
nunca gostei daquele Papa de "zóio azur" seguino a gente.
Credo em cruz!
Causos do seu Placídio
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