Charadas do Vô Dito

Vô Dito (meu avô materno), gostava de brincar comigo e
minha irmã. Mas suas brincadeiras não eram de pular corda nem de pica-esconde.
Quando ele chegava era só alegria, os bolsos estavam sempre recheados de bala de
leite. (ô delícia!!!). Uma de suas manias era jogar papéis de loteria para cima.
Quanto mais pegasse, mais pontos faria. Era preciso ficar esperto, senão
perdíamos pontos. E valia sempre, não importava o tempo que ficávamos sem nos
ver. Quando estava conosco, queria saber se havíamos escovado os dentes. Antes
de sentar-se à mesa para o café da manhã, passava em revista as boquinhas
abertas. Ficávamos temerosos, achando que vinha bronca. Ao perceber que alguém
ainda não tinha feito a higiene, ele exclamava: “Você é que está certo! Temos
que escovar os dentes DEPOIS da refeição”. Acabado o café, mandava todos para o
lavatório. O que mais o alegrava era propor-nos problemas e charadas. E contava
aquela do "diga: pacatatucotianão" e também aquela estória dos índios com a
cabra que tinham de atravessar o rio, mas a canoa era pequena. Não dava para
todos de uma vez... Como deviam agir para não perder a cabra e nem afundar a
canoa? Quebrávamos a cabeça. A cada visita vinham novos problemas. Gostava
também de certas frases de impacto, que não compreendíamos imediatamente.
Tínhamos que raciocinar. Sempre me divirto ao lembrar daquela que para mim era
das melhores. O que ouvíamos era o seguinte: “No Paraná a bunda apita.”
Gargalhávamos só de pensar nos paranaenses apitando. E ele, com a cara bem
séria, parecia não achar graça nenhuma. Ninguém entendia. Depois de contar uma
coisa dessas, como é que não ria? Queríamos saber mais, por que isto acontecia
tanto no Paraná... Só depois de adulta é que fui decifrar a tão engraçada
charada. Imagina se naquela idade eu saberia que "abunda" "pita" nada mais era
que "No Paraná abundava uma árvore cujo nome era pita"?!?!?!?!

Saudades da infância, onde o
mundo era belo e as pessoas respeitavam-se.

Um comentário:

Rikardo Sodré disse...

ate eu fikei com saudade da infãncia q nunka tive
muito bom u texto me senti criança outra vez...