A saga do celular


Meu celular suicidou-se.
Disse que estava se sentindo muito só, que ninguém mais ligava para ele, nem mesmo eu! Reclamava que ficava o tempo todo jogado no fundo da bolsa ou então largado em qualquer canto da casa...Admito, sei que muitas vezes não dei crédito a ele...mais enfim...Bom, no fatídico dia, estava eu na casa de uma amiga conversando, sentada ali na varanda do 3° andar, quando de repente, ele (o celular)saltou.Nem me deu tempo de argumentar ou me despedir. Não sei como, ele se jogou e se espatifou na calçada fria. Fiquei abalada, mas não chorei. E agora????
Pôxa, tantos anos que ele fazia parte da minha vida e foi assim tão abruptamente, tão jovem ainda, tão cheio de vida. Tá certo que não era lá elegante, moderno e bonito como tantos outros. Sua memória era fraquinha, mas sempre que precisei, lá estava ele.
Quantas madrugadas me acordou com alguma mensagem inesperada e que me deixava feliz...outras vezes me chamava incessantemente logo pela manhã com um bom dia todo especial. Ouviu alguns dos meus risos mais sinceros e sentiu algumas das minhas lágrimas silenciosas...
Enfim, desci correndo até a calçada e já haviam curiosos ali. (desgraça alheia sempre chama atenção) Olhei seus pedaços espalhados pelo cimento escuro e sujo e a única coisa inteira que sobrou dele foi o cérebro. Guardei-o dentro de uma caixinha de jóias.
Vou deixá-lo lá até conseguir um transplante.
Assim que meu "amigo" ressuscitar, mando um sinal de vida.

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